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O Estado de São Paulo - Caderno 2 -  30/10/1999
EDITOR: Adriana Grinover

Caderno 2


Sábado,
30 de outubro de 1999
Catedral pode ter se `mexido', dizem especialistas

Mudanças urbanas colaboraram para situação crítica da igreja, que será tombada

ADRIANA GRINOVER

Especial para o Estado

Eppur si muove ("No entanto, ela se move"). A frase de Galileu Galilei, ao final de seu julgamento pela Inquisição, poderia ser aplicada à situação física da Catedral da Sé. As rachaduras instaladas em algumas das abóbodas do teto indicam que houve uma "movimentação" no prédio ao longo dos seus 44 anos de existência, que pode comprometer parte da estrutura da Catedral. Engenheiros da empresa Concremat Engenharia e Tecnologia S.A. estão monitorando as fissuras, para analisar as possíveis causas do problema. Como o laudo não foi concluído, as obras de restauro estão paradas.

Por conta do grande movimento em torno da interdição da catedral, o patrimônio histórico resolveu olhar a situação mais de perto. Por iniciativa da estudante de arquitetura Lilian de Oliveira de Paiva, o edifício entrou em processo de tombamento no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico) em setembro. "Se há algum monumento efetivamente histórico em São Paulo é a catedral da Sé", disse o diretor-executivo do movimento Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida.

A associação Viva o Centro crê que o tombamento vai possibilitar a captação de recursos para a reforma, por meio das leis de incentivo. Até então (pela Lei Rouanet), a igreja só podia captar 10% do custo da obra de restauração, orçada em R$ 16 milhões. Mas setores da Cúria Metropolitana vêem com reservas o tombamento, achando que pode dificultar as obras - toda modificação no prédio, a partir da abertura do processo, deve ser comunicada ao Condephaat.

"Se não houvesse o risco de queda de fragmentos não haveria o tombamento", justifica Modesto Carvalhosa, advogado e conselheiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacioal (Iphan). "A atitude vale por manifestações religiosas e políticas em favor da democracia brasileira que lá ocorreram."

O trabalho de restauro na Sé está programado desde 1997. O Estado tentou entrar em contato com o padre Rodolpho Perazzolo, que coordena o trabalho de restauro na Cúria, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

As infiltrações afetaram a estrutura e provocaram marcas visíveis, do chão ao teto da igreja. O espaço destinado às torres que nunca foram construídas e os condutores de água que não suportam mais a força das chuvas, são as principais causas. "No lugar das torres que não foram construídas existiam grandes buracos abertos", explica Alessandro Pompei, arquiteto da empresa Concrejato responsável pela obra de restauro. O único lugar que não apresenta inflitrações nem risco de desabamento é a cúpula central (por sinal, o único espaço permitido para circulação).

"A infiltração é um problema sério que gera problemas secundários; a idade avançada da catedral contribui para a situação", explica José Saia Neto, arquiteto e técnico da 9ª Superintendência Regional do Iphan. "É bem provável que a catedral tenha se `movimentado'", conclui Neto.

A análise da estrutura da catedral permite aos especialistas duas hipóteses. A primeira é que houve uma "movimentação", mas já parou. A outra é que esta "mexida" continua ocorrendo, ainda que vagarosamente. "As rachaduras estão localizadas e direcionadas de tal forma que tudo leva a crer que houve movimentação do local, mas não sabemos há quanto tempo", explica Fernando Mentone, engenheiro da Concremat, responsável pelo projeto. "Mas é muito cedo para um parecer", avalia. Saia Neto explica que os danos dependem do que fez a edificação se "movimentar".

O total descaso com a Sé complica ainda mais os trabalhos dos técnicos. Os registros da construção na época foram perdidos. Todas as plantas estão sendo refeitas a partir do que está em pé , o processo inverso de qualquer projeto. "Toda vez que precisamos saber o material utilizado somos obrigados a interferir na construção", explica Rosana Atiba, engenheira da Concremat.

Na parte interna serão refeitos todos os rejuntes das pedras que compõem os pilares e haverá a modernização do sistema elétrico, que não obedece mais as normas de segurança vigente. O sistema hidráulico e de esgoto vai ser redimensionado. O mobiliário, todo em Jacarandá da Bahia, também será recuperado. Na parte externa, os condutores de água serão ampliados e a escadaria refeita. A fachada, composta por blocos de granito de 15 centímetros de espessura, vai ser lavada (o que só ocorreu duas vezes em 44 anos). As 14 torres que faltam serão construídas, "A intenção é construir as torres para protejer a catedral de inflitrações", justifica o arquiteto Alessandro Pompei. "As consequências de a obra ter ficado inacabada é um fato histórico que não pode ser ignorado ou modificado", justifica Pompei.

Vitrais e o acervo de arte são um capítulo à parte. Luis Martin Sarasá, especialista em restauros no Brasil e o responsável pela parte dos vitrais, explica que os trabalhos serão desenvolvidos em duas fases. A primeira são os restauros dos vitrais originais (1.173 metros de vitrais). A falta de manutenção provocou frissuras nas molduras e as peças estão ameaçadas de cair. A segunda é a colocação de vitrais novos (640 metros).

A situação da Catedral da Sé é observada atentamente pelos defensores da recuperação do centro histórico de São Paulo. Com os R$ 16 milhões que serão gastos na igreja, serão aproximadamente R$ 140 milhões gastos na revitalização do centro da cidade (Sala São Paulo, Shopping Light, Centro Cultural Banco do Brasil e Correios).



      Restauração dos vitrais da Catedral da Sé
      Atelier Restaura Vitrais da Catedral da Sé
      Atelier Sarasá expõem trabalhos na Catedral da Sé
      Catedral da Sé após restauração de Sarasá
      Preciosidade esquecida na Sé

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